domingo, 19 de fevereiro de 2012

A cor do Tempo

Junto às manhãs vinham aromas  com a natureza das estações. Os olhos da mente ainda recordam o aroma primaveril e outonal. Os olhos se davam a ganhar tempo ao observar  folhas as quais a brisa faziam rolar pelo chão feito crianças. No inverno os olhos tentavam advinhar o que vinha adiante, pelo que ingleses chamam de "fog". Alguns tolos brasileiros também assim adejetivam o que nós chamamos neblina, cerração. E quantas tardes o aroma das plantas se misturavam ao do capim queimado! As noites eram quentes, os dias mais ainda. Mas não eram infernais quanto aos dias do esquisito, moderno e causticante século XXI. O calor, pelo menos nas bandas da Baixada Fluminense, era suportável. Se não fossem os incômodos insetos e as horrorosas valas abertas, de variadas e horrenda cores, poderiamos dizer que o calor seria bem tolerável. Ou seriamos mais tolerantes para com êle. Os incômodos insetos e os terriveis odores não eram mais do que o resultado do que os governantes carregavam em seus cérebros. Mas tais seres, repugnantes seres, não impediam que nas frias noites juninas, alegres pessoas, talvez inconscientes da felicidade que poderiam ter, deixassem de soltar seus fogos, seus balões e se divertir daquilo que tanto sabiam. Brincar de caipiras. O verão era uma festa. Deixávamos a vaidade subir à nossa cabeça e os corpos desnudos sob o raiar do sol , nas prais, ou nas lages. Esqueciamos que a qualquer momento teriamos que levantar nossos parcos móveis pela ameça de negras nuvens. Azar! Já tinhamos nos esbaldado no carnaval! O século XX já se foi. A cor do tempo e seu aroma é outro. Mas aqueles homens dos gabinetes em nada mudaram. Bem, quanto ao aroma, o aroma do tempo não está nada poético. E quanto ao fogos, bem os fogos não são bem de alegria...

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