segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sarapuhy versus gestapo

Quando era guri, fugia de jacaré no Rio Sarapuhí. Este era populamente chamado de rio do meio". Não sei se era porque  a maioria do pessoal não sabia seu nome. Ou se era um daqueles chamados carinhosos em que se cria intimidade. Como o "Velho Chico". O Sarapuhi era o meu São Francisco da Baixada. Existia soberbamente entre dois rios, os quais eram de menor volume dágua. Mas que não poderiam ser menosprezados, quando transbordavam nos periodos de fortes chuvas. Com o tempo a densidade demográfica e a falta de planejamento urbano e o desprezo e a falta de respeito para com o meio ambiente, os companheiros do "rio do meio" foram soterrados em varios trechos e os que restaram não passam de valas fétidas..

O Sarapuhy continuou sua viagem sendo massacrado com animais mortos, cadáveres de suspeitos, e de vitimas de psicopatas de diversos calibres.

Já na década de 50 a sua morte lenta foi anunciada com a chegada de uma empresa alemã, cuja inauguração se deu por um sujeito endeusado por ter construido a capital de Pindorama.Se o tal sujeito de ânsias megalomaníacas soubesse o que traria tal industria...Bem talvez inaugurasse assim mesmo. Dizem os
mais bem informados que ela fabricava, ou fabrica um tal desfolhante verde que era usado contra os vietcongs na guerra do Vietnã, deixando um rastro de mortes, doenças e desertificação. Cruz credo!!! Vade retro Hitler e seus seguidores bastante atuais! Bem! Ou melhor, quer dizer, mal!...O problema é que partes dos dejetos quimicos eram despejados no Sarapa. Ha! Quem morava lá pelas bandas de Belforfor Roxo, Coelho da Rocha e adjacências sofria com o horroroso fedor transmitido pela empresa. Pessoas tinham serissimos problemas de saude e até câncer. Mas muita gente boa dizia que a empresa era importante, porque dava empregos. A bosta toda é que o Sarapuhi não foi mais o mesmo. Nem as pessoas que viviam em seu entorno. Tampouco seus peixes e jacarés. Eu não mais me atreveria a me divertir fugindo daquele bicho. Quem têm a quimica da empresa que está entre o norte e o sul da Baixada não precisa de animais para ser devorado.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A cor do Tempo

Junto às manhãs vinham aromas  com a natureza das estações. Os olhos da mente ainda recordam o aroma primaveril e outonal. Os olhos se davam a ganhar tempo ao observar  folhas as quais a brisa faziam rolar pelo chão feito crianças. No inverno os olhos tentavam advinhar o que vinha adiante, pelo que ingleses chamam de "fog". Alguns tolos brasileiros também assim adejetivam o que nós chamamos neblina, cerração. E quantas tardes o aroma das plantas se misturavam ao do capim queimado! As noites eram quentes, os dias mais ainda. Mas não eram infernais quanto aos dias do esquisito, moderno e causticante século XXI. O calor, pelo menos nas bandas da Baixada Fluminense, era suportável. Se não fossem os incômodos insetos e as horrorosas valas abertas, de variadas e horrenda cores, poderiamos dizer que o calor seria bem tolerável. Ou seriamos mais tolerantes para com êle. Os incômodos insetos e os terriveis odores não eram mais do que o resultado do que os governantes carregavam em seus cérebros. Mas tais seres, repugnantes seres, não impediam que nas frias noites juninas, alegres pessoas, talvez inconscientes da felicidade que poderiam ter, deixassem de soltar seus fogos, seus balões e se divertir daquilo que tanto sabiam. Brincar de caipiras. O verão era uma festa. Deixávamos a vaidade subir à nossa cabeça e os corpos desnudos sob o raiar do sol , nas prais, ou nas lages. Esqueciamos que a qualquer momento teriamos que levantar nossos parcos móveis pela ameça de negras nuvens. Azar! Já tinhamos nos esbaldado no carnaval! O século XX já se foi. A cor do tempo e seu aroma é outro. Mas aqueles homens dos gabinetes em nada mudaram. Bem, quanto ao aroma, o aroma do tempo não está nada poético. E quanto ao fogos, bem os fogos não são bem de alegria...